Efeito Placebo

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Shakespeare não estava sendo metafórico quando escreveu a fala de Próspero em “A tempestade” : “Nós somos feitos da mesma materia de nossos sonhos”, pois sendo corpo e mente o homem é feito também dos seus pensamentos.

A palavra placebo deriva do latim placere, que significa agradarei. Para a medicina o placebo é entendido como um fármaco ou procedimento sem sentido clínico, que apresenta efeitos fisiológicos em virtude da crença do paciente.

Normalmente o efeito placebo gira em torno de 50%, ou seja: metade das pessoas do grupo se sentem melhores apenas porque acreditam que estão sendo curadas! Ou seja: muitas pessoas que procuram médicos, clínicas e terapias, precisam de tratamento não do medicamento, do composto que tem naquelas pílulas, e sim do que elas representam. O medicamento não é um composto químico nesse caso, mas o símbolo de que há novas possibilidades. Ou seja: o medicamento materializa algo que nenhum médico ou terapeuta conseguiria garantir com certeza, a melhora.

Esse texto não é uma defesa de que os medicamentos não são importantes ou de que não devem ser utilizados, mas sim uma reflexão sobre o poder dos nossos pensamentos. Eles têm força e afetam o nosso corpo, nosso jeito de estar no mundo e de nos relacionarmos.

Quando vivemoss muito insensíveis ou cegos para conosco mesmos, talvez o contato mais rápido seja a doença (física ou da mente). A doença dos lembra de que vamos morrer um dia, de nossa finitude de presença e de possibilidades.

Clinicamente, a Fenomenologia não busca estimular, no contexto clínico, um movimento de superação da questão da doença. Busca escutar e estimular, no doente, um esforço de compreensão e resolução de sua existência a partir da doença. É acolher a doença como algo que me diz respeito, não só porque ela me acometeu, mas porque fala de mim, para mim e, a partir disto, eu vou obter novamente uma oportunidade de me colocar resolutamente em relação à minha pessoa. O que é que eu vim fazer aqui? O que eu vim fazer aqui com os outros?

Há outro aspecto importante. A doença é também, neste contexto, uma expressão de sanidade. A doença é a expressão não só do impedimento de eu continuar sendo, mas principalmente um impedimento de eu continuar sendo como sempre fui. Aponta que algo não está funcionando. Ela não é apenas uma ameaça, talvez seja um convite para eu reconsiderar as direções que eu tenho tomado na vida. Quando algo nos acomete, passa a haver um intercâmbio mais enriquecido entre as nossas possibilidades como homem e aquilo que realizamos na nossa vida.

William Blake disse: “Tudo que hoje existe foi outrora imaginado”. Eu concordo! E você?

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Nota: Parte desse texto veio dos ensinamentos do meu querido professor Nichan Dichtchekenian que me ajuda a construir até hoje o pensamento Fenomenológico Existencial na prática clínica. Não são idéias minhas, mas idéias que estão em mim.

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