Querendo gostar de limonada. Será que é possível?

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Sentir-se perdida é tão angustiante! Aff!!!

Mas nos desencontros da vida é que temos a oportunidade de encontrar o novo porque ao nos perdemos saímos do conforto do conhecido e somos forçados a experimentar. E vamos combinar que esse movimento de novidade não é algo que fazemos cotidianamente… eu pelo menos não tenho esse desprendimento (ainda! – sonho com ela…).

Sabe aquela história de fazer do limão uma limonada? É super clichê, mas porque não? A acidez, mesmo com sua falta de doçura tem um gosto bem interessante. De repente, deixar de fazer cara feia e se entregar ao deleite das delícias de um sabor azedo pode ser um dos caminhos para vida mais leve.

Novos sabores. Estou em busca!!! Ainda dá tempo de incluir na lista de metas para 2013?!

Acho que sim!!!

 

E para ilustrar esse pensamento segue um texto que li faz tempo e que revisito sempre…

 

Um limão, meio limão, dois limões

Era um limão.

Um mera fruta que por descuido caiu da bolsa de feira de uma senhora apressada em pegar o trem.

Não era nada, mas nada mesmo, apenas um limão.

Ficou ali, verde e ácido, jazendo suicída na linha de ferro.

Ferro e limão não combinam.

Mas o limão caiu justo em cima das pedras de brita que separam os dormentes, que separam o trilho, que separam o trem do limão.

Sem querer, e sem dar-se conta, o limão ao cair ao solo da bolsa da apressada e decuidada senhora, acabou por cortar-se.

E desse corte do limão liberou-se uma pequena e ácida semente nas pedras de brita que separam os dormentes, o trilho e o trem.

A semente sem querer, e sem dar-se conta, foi-se indo pelas pedras de brita e por entre elas encontrou, por mero acaso, o solo, onde fazia calor e caia a água do ar condicionado do trem, que por ali passava como bem dizíamos.

Foi então que a semente ácida do limão experimentou crescer.

Foi-se fazendo maior, maior, maior, a ponto de virar uma pequena folha por entre as pedras de brita que separavam o dormente.

É engraçado, mas aquela folha ali, no meio das pedras de brita, não chamou a mínima atenção de ninguém e esse foi o motivo pelo qual o pequeno limoeiro conseguiu crescer dentro de suas limitações, uma delas a de ser limado pelo trem, que continuava passando e ignorava solenemente os esforços verdes-ácidos em progredir.

O limoeiro cresceu então para os lados até tomar a forma retangular delimitada pelo encontro dos dormentes, trilhos e, evidentemente, pela força de um trem na sua cabeça.

Curiosamente, começaram a brotar limões, mas não redondos como de hábito e sim retangulares, como era o normal para aquele limoeiro.

Aqueles limões quadrados, fruto da caída inesperada de uma bolsa de feira de uma senhora descuidada e apressada, tinham uma propriedade absolutamente espetacular.

Ocorre que a combinação de brita, dormente de ferro, água de ar condicionado e solo quente dotou os limõezinhos de uma capacidade de cura para qualquer tipo de doença causada por vírus, mas evidentemente isso não passou pela cabeça de ninguém.

Um belo dia o chefe da estação mandou limpar o mato que se acumulava nos trilhos e o bonsai ácido-ferroso acabou virando carregamento no caminhão de lixo da companhia municipal de limpeza.

Por ironia, no ano passado aquela senhora, desatenta e apressada, veio a falecer vítima de uma gripe fortíssima para a qual a medicina ainda não dispunha de medicamentos eficazes para combatê-la.

Do blog: O Eco – A voz de quem fala para as paredes by Flávio de Miranda on 26/08/09

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Sobre Camila Andrade

Psicóloga graduada pela PUC-SP e pós graduada em Arteterapia pelo Instituto Sedes Sapiense. Eterna estudante de fenomenologia existencial heideggeriana e filosofia. Libriana com ascendente em peixes, apaixonada pelas expressões humanas, sobretudo as que se revelam através da arte. Ilustração, fotografia e poesia são minhas paixões! Amo as cores, as combinações inusitadas, os descombinados. O óbvio que não é óbvio muito me interessa... Na minha opinião o complexo pode ser bem interessante!

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