Um fragmento da história de nós dois

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Ele ligou porque estava com saudade, mas disse que era qualquer outra coisa. Já fazia tempo que não entrava em contato e queria saber se estava tudo bem.

Ela corou. Adorou ouvir a voz dele. Sentiu medo de ser mesmo apenas preocupação. Queria que fosse outra coisa, mas guardou segredo. Não contou nem para si mesma.

Já fazia tempo, mas imediatamente perceberam que embora tivessem dado voltas pelo mundo, cada um num mundo diferente, ainda estavam conectados. Era muito forte.

Ela descreveria como complexo e interessante.

Ele não descreveria porque nunca conseguiu explicar. Faltavam palavras.

Conversaram por horas. Nada havia mudado, só o tempo.  Ah, o tempo! E a vontade. Era muita.

Um dia se encontraram e compreenderam a dimensão da complexidade e da intensidade. Se amaram.

Ela se encantou pelos olhos dele e sentiu medo.

Ele se angustiou com o indizível.  E por não compreender também sentiu medo.

Perderam-se de novo.

Tanto carinho e respeito exigem prudência e cuidado. Foi melhor assim.

Será?!

Engraçados são os paradoxos.

Ele, um tanto quanto racional e objetivo teve dificuldades para explicar aquele afeto porque não encontrava no vocabulário expressões que se encaixassem naquilo. Resolveu ir embora e apenas sentir.

Ela pouco se importava em explicar. Sempre achou que as palavras eram insuficientes e ficava feliz por apenas sentir. No entanto, não conseguia lhe dizer o que precisava e ficou tomada pela sensação de que só enviava as mensagens erradas. Está até agora procurando palavras para lhe dizer.

Quem sabe um dia.

Camila Andrade.

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Sobre Camila Andrade

Psicóloga graduada pela PUC-SP e pós graduada em Arteterapia pelo Instituto Sedes Sapiense. Eterna estudante de fenomenologia existencial heideggeriana e filosofia. Libriana com ascendente em peixes, apaixonada pelas expressões humanas, sobretudo as que se revelam através da arte. Ilustração, fotografia e poesia são minhas paixões! Amo as cores, as combinações inusitadas, os descombinados. O óbvio que não é óbvio muito me interessa... Na minha opinião o complexo pode ser bem interessante!

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