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Uma bússola nova

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* Trecho é do filme “Comer, Rezar e Amar”.

De repente tudo muda e isso nos arrasta como um tsunami. Olhamos em volta e nos desesperamos porque as coisas se transformaram abruptamente, sem nosso consentimento. São os momentos de crise… Mas será que precisamos consentir?
Por que é tão difícil entendermos que o ritmo da vida é cíclico e não linear… que somos nós é que não consentimos com o fluxo natural da existência? Existir implica em mudar!!! Senão para que serve existir?

Quando tudo se transforma de uma hora para outra sentimos angustia e vazio porque parece que um pedaço de nós morre e fica um buraco… uma ausência… Dói muito! Muito mesmo… mas a cada dia que passa me convenço de que dói porque nos baseamos em paradigmas equivocados.

Drummond escreveu:

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.”

Ando apaixonada pela simbologia do ouroboros e tenho usado muito a palavra carpe diem… quero incorporar mais esses conceitos no meu ser…

Preciso de uma bússola nova para me guiar!!! Agora eu já sei… e estou feliz!!!

Efeito Placebo

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Shakespeare não estava sendo metafórico quando escreveu a fala de Próspero em “A tempestade” : “Nós somos feitos da mesma materia de nossos sonhos”, pois sendo corpo e mente o homem é feito também dos seus pensamentos.

A palavra placebo deriva do latim placere, que significa agradarei. Para a medicina o placebo é entendido como um fármaco ou procedimento sem sentido clínico, que apresenta efeitos fisiológicos em virtude da crença do paciente.

Normalmente o efeito placebo gira em torno de 50%, ou seja: metade das pessoas do grupo se sentem melhores apenas porque acreditam que estão sendo curadas! Ou seja: muitas pessoas que procuram médicos, clínicas e terapias, precisam de tratamento não do medicamento, do composto que tem naquelas pílulas, e sim do que elas representam. O medicamento não é um composto químico nesse caso, mas o símbolo de que há novas possibilidades. Ou seja: o medicamento materializa algo que nenhum médico ou terapeuta conseguiria garantir com certeza, a melhora.

Esse texto não é uma defesa de que os medicamentos não são importantes ou de que não devem ser utilizados, mas sim uma reflexão sobre o poder dos nossos pensamentos. Eles têm força e afetam o nosso corpo, nosso jeito de estar no mundo e de nos relacionarmos.

Quando vivemoss muito insensíveis ou cegos para conosco mesmos, talvez o contato mais rápido seja a doença (física ou da mente). A doença dos lembra de que vamos morrer um dia, de nossa finitude de presença e de possibilidades.

Clinicamente, a Fenomenologia não busca estimular, no contexto clínico, um movimento de superação da questão da doença. Busca escutar e estimular, no doente, um esforço de compreensão e resolução de sua existência a partir da doença. É acolher a doença como algo que me diz respeito, não só porque ela me acometeu, mas porque fala de mim, para mim e, a partir disto, eu vou obter novamente uma oportunidade de me colocar resolutamente em relação à minha pessoa. O que é que eu vim fazer aqui? O que eu vim fazer aqui com os outros?

Há outro aspecto importante. A doença é também, neste contexto, uma expressão de sanidade. A doença é a expressão não só do impedimento de eu continuar sendo, mas principalmente um impedimento de eu continuar sendo como sempre fui. Aponta que algo não está funcionando. Ela não é apenas uma ameaça, talvez seja um convite para eu reconsiderar as direções que eu tenho tomado na vida. Quando algo nos acomete, passa a haver um intercâmbio mais enriquecido entre as nossas possibilidades como homem e aquilo que realizamos na nossa vida.

William Blake disse: “Tudo que hoje existe foi outrora imaginado”. Eu concordo! E você?

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Nota: Parte desse texto veio dos ensinamentos do meu querido professor Nichan Dichtchekenian que me ajuda a construir até hoje o pensamento Fenomenológico Existencial na prática clínica. Não são idéias minhas, mas idéias que estão em mim.

Utopia

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O homem é movido pelo que ainda não é, mas pode vir a ser. Está lançado na existencia, tendo que existir, sem nenhuma preparação… é o sonho, o desejo, os planos que o movimentam.

Esse jeito de pensar quebra alguns paradigmas e a utopia, vista como o inatingível e inútil, causadora de frustração, recebe um status de combústível para o movimento, movimento de vida, saúde. Ela aponta, assim como o sonho, pra onde.

Galeano, maravilhoso, fala muito bem sobre ela:

“…Ela está no horizonte, eu dou dois passos para a frente e ela está dois passos além, eu dou dez passos, e o horizonte corre dez passos adiante. Por mais que eu caminhe, nunca a alcançarei. Para que serve a utopia? É para isso que ela serve, para caminhar…”

O que te move? A sua estrada desemboca onde?

A Gente se Acostuma, texto de Marina Colassanti extraído do livro “Eu sei, mas não devia”, Ed. Rocco.

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A gente se acostuma… e temos que nos acostumar mesmo porque precisamos de um pouco de alienação e desprendimento para tocar a vida. Não seria possível passar o tempo todo refletindo sobre tudo que se faz. A vida corre e nós vamos com ela.

A questão não é se acostumar, mas deixar de questionar, de revisitar as escolhas e perguntar porque, mesmo que seja para concluir que esta tudo certo e reafirmar o que foi escolhido. Reescolher também é escolha!

A questão é se acostumar e achar que a vida é assim porque sim… é esquecer que somos responsáveis por tudo que nos acontece e nos sentirmos vítimas dos costumes que escolhemos para nós…

Quais foram as suas escolhas?

Quais serão as suas escolhas?

Para pensar sobre o olhar e o poder das imagens

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As imagens estão em todos os lugares. Chegam aos nossos olhos trazendo um punhado de informações que muitas vezes nem percebemos porque não sabemos lê-las… na verdade nem nos preocupamos com isso.

Imagem também é linguagem, assim como a palavra o é. A diferença é que nos desenvolvemos na escrita e leitura e deixamos de nos importar com a linguagem visual. Muitos de nós deixa de desenhar aos seis anos quando inicia-se o processo de alfabetização. E a escola num certo sentido tem razão quando escolhe esse caminho, pois vivemos numa sociedade que prioriza as palavras. Mas será?!

Minha ideia nesse post é despertar uma reflexão sobre o olhar. O que olhamos? Como olhamos? O que fazemos com as informações que nos chegam através dos olhos?

Pra inspirar compartilho esse vídeo que é parte do Documentário Janelas da Alma (2001) de João Jardim e Walter Carvalho.

Boas reflexões!